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| A Solidão no Cinema [2]:
Taxi Driver (1976 / dir. Martin Scorsese) |
| por Marco Polli |
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ATENÇÃO: PONTOS DO DESENVOLVIMENTO DO FILME SÃO REVELADOS Travis (Robert DeNiro): "A solidão me perseguiu em todos os lugares... em bares, em carros, calçadas, lojas... em tudo. Não há como fugir, sou o solitário do Senhor." Logo no início do filme, quando Travis se oferece para a vaga de motorista de taxi, ele tenta dizer algo engraçado, mas o atendente apenas o estranha. Essa estranheza e esse tom incomunicabilidade vão dominar o restante do filme, seja nas situações mais prosaicas - por exemplo quando Travis vai comprar refrigerante no cinema, ou em cenas centrais da história com as personagens Betsy (Cybill Shepherd) e Iris (Jodie Foster). Há pequenos momentos de empatia, por exemplo Betsy sendo convencida por Travis a sair com ele, mas eles são seguidos de situações esdrúxulas e diálogos de categoria kafkiana, os quais não levar a lugar nenhum e não estabelecem nenhuma comunicação positiva. Não só Travis não consegue se relacionar com o mundo dos outros, como também os demais personagens não parecem ter nada de significativo a dizer para ele. Numa cena importante, sentindo-se confuso, Travis pede conselhos a um colega da empresa de taxi conhecido como Wizard (Peter Boyle). O próprio apelido viria da sua sabedoria superior, Wizard é atencioso e de fato tentar orientar Travis, mas suas palavras são superficiais e inócuas. Depois dessa tentativa falha de entender o que está acontecendo, os problemas de Travis só farão aumentar. Com Travis, Iris tem ao menos um lapso de percepção: "não sei quem é mais esquisito aqui, eu ou você". |
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