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Admirador desde criança dos faroestes a abordagem de Leone não é exatamente a de um iconoclasta, antes de tudo, ele destacou, estilizou e aprofundou os elementos que lhe apraziam. Leone não pareceria se interessar por longas trocas de tiros, mas sim pela tensão que precede um embate. Seus filmes tiram o máximo de efeito dramático de um homem em pé, pronto para sacar a sua arma. E se não foi obviamente Leone que criou a figura do pistoleiro solitário e misterioso, ela é explorada até o limite na figura de Clint Eastwood. Há uma dimensão lendária, mítica em seu personagem, o qual exatamente o que fazer e exatamente onde estar. Ele quase não fala, possui uma mira fantástica, parece controlar magicamente as cartas de pôquer, e, claro, está sempre bem enquadrado pela câmera. E se há um ponto na história em que Clint Eastwood sofre e apanha muito, isso é necessário para dar espaço a um retorno triunfal.
Ironicamente, mesmo que não tivesse pudor em explorar situações improváveis para seus personagens e mostrá-las em cenas bastante estilizadas, plenas de artificialismo cinematográfico, Leone podia imprimir um realismo maior que o dos seus colegas americanos: seu oeste é poeirento, seus atores dão a impressão de estarem sujos, não se escondem as rugas de seus rostos bronzeados e o sol parece sempre forte demais para seus olhos. Em Três Homens em Conflito, o embate de Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef entrecruza-se com a realidade da Guerra Civil Americana, em Era uma vez no Oeste, a história de vingança de Charles Bronson e Henry Fonda tem como cenário o avanço da civilização no oeste ao longo da expansão da ferrovia. Essas dimensões (uma lendária e pessoal e outra social e histórica) interagem uma com a outra, mas não se confundem totalmente. Se Sergio Leone é um dos grandes diretores do que se chama "faroeste revisionista", ele não tinha intenção de esvaziar o faroeste dos seus mitos, ele adorava usá-los e exagerá-los, mesmo para que fossem colocados em perspectiva.
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