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| Imagens de 2001, 2010 e de Marcos Pontes | |
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2006 - O Ano em que Pegamos Carona [5.junho.2006] |
| por Marco Polli |
Nelson Rodrigues escreveu que "não houve nada mais espetacular, nada mais dramático, do que a descida do homem na lua. Foi o gibi realizado." Além dos quadrinhos, claro, o cinema ajudou a formar a imagética sobre as viagens especiais e é interessante lembrar que no ano anterior aos pulos lunares de Amstrong em 1969 tal imagética sofreu o forte impacto de 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Se a disputa entre EUA e URSS fez da corrida espacial uma fronteira tecnológica prioritária nos anos 60, o filme de Stanley Kubrick utilizou efeitos especiais de ponta e desenvolveu novas técnicas para forjar imagens que não tinham paralelo sobre o homem no espaço. Kubrick consultou vários cientistas com o intuito de obter uma representação plausível de uma viagem a Júpiter, é curioso como esse realismo dos detalhes técnicos dá base para um filme em que a fronteira espacial aparece como um fonte de mistério e de transcendência para o gênero humano. 2001 foi a segunda maior bilheteria americana em 1968 e provavelmente o filme mais lento e artisticamente extravagante a ter tamanho alcance de público. Kubrick desenvolveu o conceito de 2001 junto com o escritor Arthur Clarke. O livro deste saiu na realidade após o lançamento do filme. Clarke continuou a explorar o filão "progressivamente" escrevendo os romances 2010, 2061 e 3001. Kubrick não se envolveu mais com a saga e seu filme seguinte, Laranja Mecânica (1971), trataria de um futuro nada asséptico, através do olhar de um líder de gangue. Assim, foi com a direção de Peter Hyams que 2010, O Ano em que Faremos Contato teve sua versão cinematográfica lançada em 1984. Eu pude vê-la recentemente e considero o filme integrante da grande coleção de infâmias cinematográficas. Como na ficção científica convencional, em 2010 temos um falatório sem fim dos personagens explicando o que está acontecendo, algo estrategicamente suprimido por Kubrick. Porém, o desnível fica mais evidente quando 2010 revista algumas cenas e climas de 2001, passe-se mais a impressão de um pastiche do que a de um diálogo com o filme original. Assisti a 2001 propriamente quando passou na Globo nos longínquos anos 80, separado em duas noites. Não eram as condições mais favoráveis, mas, de qualquer modo, fiquei marcado por aquelas imagens e sons, mesmo que intercalados com imagens e sons de comerciais. Eu pensava no marco temporal, faltavam cerca de 15 anos para 2001, será que algo daquele tipo aconteceria? Em 2006, não só nenhuma missão tripulada aproximou-se de Júpiter, como também, ainda mais marcante, as viagens espaciais em geral perderam muito do seu apelo e prioridade. Não há mais guerra fria e outras fronteiras técnicas foram tomando a cena, tais como as tecnologias de informação e a biotecnologia. É significativo que a ficção científica de maior impacto nos últimos 10 anos, Matrix (1999), utiliza o universo dos mundos virtuais: qual é a graça mesmo de ir para outro planeta? 2006 foi o ano em que um brasileiro pegou uma carona para o espaço. Não foi muito longe, mas foi. Mesmo os defensores dessa viagem admitem que não se trata de resultados práticos imediatos. O Brasil ficou mais próximo dos países líderes na tecnologia aeroespacial e, claro, há o simbolismo do Brasileiro no Espaço. A cápsula em que estava Marcos Pontes acoplou a Estação Espacial Internacional durante nossa madrugada, a Globo estava transmitindo o treino de F1 e, então, quando cortaram para a acoplagem, foi Galvão Bueno que a narrou. Corinthianos levaram a um estádio em Buenos Aires uma faixa dizendo "Argentina não tem astronauta". Seria preciso ainda contabilizar o estímulo à ciência, Marcos Pontes levou até experimentos sugeridos por escolas. Um deles consistia na "germinação de feijão em ambiente de microgravidade", pois é, o pré-escolar feijãozinho. É durante infância e a adolescência que a maioria dos nossos valores simbólicos são construídos. E para a minha fração pré-adolescente, o simbolismo da viagem de Marcos Pontes já estava condenado ao fracasso não precisando o astronauta de desligar um cérebro eletrônico rebelde e com voz enigmática, abandonar sua nave, atravessar um portal repleto de imagens psicodélicas e, por fim, passar por algum tipo de experiência transcendental. É o mínimo que se pede, feijão não basta. Lembremos que Marcos Pontes teve o privilégio de ver nosso planeta de longe, imagem que deve ser magnífica, porém assistindo algumas de suas entrevistas após a volta, reconheci o mesmo caso daquele nosso amigo que faz uma viagem que gostaríamos muito de ter feito, volta mostrando fotos, dizendo que tudo foi maravilhoso, mas sem passar aquele entusiasmo que esperamos. Na verdade, nada de fundamental ou mágico aconteceu. Eu posso até entender, mas para o meu eu pré-adolescente isso é simplesmente inadmissível, foi apenas um fraco e enganador 2010. |
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2001 + Homer maravilhando-se com uma poltrana reclinante, tirei essas imagens de simpsonspark.com . | |